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Desemprego tecnológico no mundo das tecnologias disruptivas

06/03/2020

As tecnologias disruptivas e a inovação estão promovendo a automatização de trabalhos anteriormente realizados por pessoas em rapidez jamais verificada e gerando, com preocupação, o já rotulado fenômeno do “desemprego tecnológico” uma vez que uma quantidade enorme de profissionais perderão seus empregados muito em breve.

Veja-se, por exemplo, o caso dos motoristas, sejam eles de automóveis, caminhões, ambulâncias, taxistas, dentre outros. Certamente estes profissionais perderão seus empregos quando os driverless cars (carros autômatos) passarem a ser rotineiros ou absolutos.

Na mesma linha de raciocínio, todos os empregos ligados direta ou indiretamente aos automóveis convencionais ou se transformarão drasticamente ou simplesmente sumirão. Na verdade, a própria indústria automobilística desaparecerá e todos os setores ligados ao automóvel convencional também não terão mais existência.

Há de se considerar, ainda, que os drones, veículos aéreos não tripulados (VANTs) ou veículos aéreos remotamente pilotados (VARPs), vão transformar toda a realidade de transporte de mercadorias e/ou de locomoção de passageiros de uma forma radical.

O mundo a cada amanhecer será em algo diferente e estudos de prospecção evidenciam, claramente, que nos próximos anos a maioria das profissões exercidas por trabalhadores formais vão ser substituídas por empregos onde haverá de imperar (condicionantemente) a inteligência artificial (IA), a impressão 3D e os Sistemas Ciber-Físicos (Cyber-Physical Systens - CPS).

 Profissionais como advogados, jornalistas, contadores, auditores, dentre outros tantos que dependem da recepção da informação, processamento e diagnóstico serão substituídas não apenas por “máquinas que pensam”, mas por outras tantas máquinas que gerarão “maquinas que pensam”.

A IA já está reestruturando praticamente todas as áreas que trabalham com a prática da repetição e/ou dedução. “Alfa premissas geram beta conclusão”. Essa é a regra fundamental na geração de resultados por dedução e a premissa fundamental das transformações disruptivas em andamento.

Pondere-se, entretanto, que a IA não vai substituir a vaga de um profissional (a vaga continuará existindo), mas o profissional que não aprender a trabalhar com a IA vai perder sua vaga de trabalho.

Por outro lado, a despeito de sensacionalismos ficcionais, continuarão a ser os homens que deverão ensinar habilidades e ética para as “máquinas” que, necessariamente, “apreenderão” a partir dos valores a elas repassados.

De outro lado, a impressão 3D, por sua vez, abre as portas de um novo paradigma para a concepção de manufatura haja vista que em breve teremos em casa uma impressora 3D para imprimirmos praticamente tudo que hoje compramos. A impressora 3D será mais um eletrodoméstico e, em consequência, todas as cadeias de empregos associadas estarão fadadas a acabarem.

Mas, além da utilização doméstica das impressoras 3D, estas serão utilizadas, também, para diversas outras funções externas como as existentes no campo da Indústria em geral e na Construção Civil em particular, para mencionar apenas dois exemplos. Cabendo, salientar que tanto na Construção Civil quanto na Indústria existem enormes contingentes de empregos que serão transformados. 

Embora a impressão 3D e a IA sejam tecnologias disruptivas com possibilidades ilimitadas de desenvolvimento são os CPS, em particular, que dão, efetivamente, o tom da transformação global imposta pela quarta revolução industrial. 

Os CPS constituem ligação para interconectar toda IIoT - Industrial Internet of Things - aquela que é a Internet Industrial das Coisas. A Indústria atual tem na IIoT o indispensável para a fusão entre os mundos real, virtual e o mundo biológico.

Veja-se, entretanto, que a primeira revolução industrial aconteceu a partir do fim do século XVIII com a introdução da mecanização movida a água e a vapor. Considera-se que a segunda revolução industrial se desenvolveu com a disseminação da utilização da eletricidade e do petróleo. Já a terceira revolução industrial teve sua existência a partir da década de 1980 com a automação e a introdução da microcomputação.

Todavia, a quarta revolução industrial se diferencia das demais, dentre outros fatores, pelo aumento astronômico da geração de dados na indústria.

Cabe observar que a IIoT constitui a concepção de IoT (Internet of Things), a Internet das Coisas, aplicada à concepção de “chão de fábrica” e que possibilita a otimização das operações em grande escala e o acompanhamento aprimorado da produção industrial.

Lembre-se que a IoT possibilita a transferência de dados e informações para uma plataforma de compartilhamento em nuvem por meio de dispositivos de uso cotidiano, promovendo a automatização de procedimentos.

Atualmente, via IIoT, são geradas elevadíssimas taxas de produção de dados pelas indústrias diariamente, sejam dados históricos de processos ou dados contextuais de sistemas de negócios ou dados de manufatura. E os volumes de dados irão crescer ainda mais e de forma exponencial, sem limites.

Conquanto os CPS permitam a transcendência entre escalas do espaço e tempo antes sequer imaginadas a plena simbiose entre informações do mundo cibernético e do mundo físico continuará a ser um dos grandes problemas a solucionar. Muitos dados não são garantia de “dados ricos”. Muitos dados trazem, geralmente, “informações ruins” e, consequentemente, as decisões podem não ser as melhores piorando ainda mais a necessária interação entre o mundo real e o cibernético.

Mas, e o tal “desemprego tecnológico”? Se pelas considerações precedentes a cada novo dia teremos uma realidade diferente daquela do dia anterior com mais e mais dados a considerar, alguma profissão atual tem chances de se manter durante o desenvolver da quarta revolução industrial?

Toda revolução industrial, inevitavelmente, elimina um grande número de empregos, algumas profissões deixam de existir e outros novos tipos de profissionais são exigidos. Simplesmente, não há como evitar.

Existiram “desempregos tecnológicos” em todas as revoluções industriais. Porém, na quarta revolução industrial o número de postos de trabalho que serão eliminados será muito maior haja vista que as tecnologias disruptivas em desenvolvimento criam sistemas que executam, na maioria das vezes, tarefas antes exercidas não por um, mas por diversos profissionais. Então, é inevitável: com a realidade 4.0 o mundo do trabalho sofrerá profundas transformações.

Então, todas as profissões estão fadadas a acabar com este novo mundo disruptivo e inovador? Todos os empregos vão acabar? O homem não terá mais que trabalhar?

Muitos são os questionamentos que podem ser feitos em decorrência do avanço da quarta revolução industrial. E muitas são, também, as preocupações decorrentes. Todavia, não se trata do fim do trabalho humano e sim de uma inolvidável transformação na qualidade do trabalho humano. O trabalho humano jamais acabará, mas será modificado e exigirá muito mais a inteligência humana do que a força repetitiva.

Diversas novas profissões já estão sendo criadas e outras tantas não acabarão seja qual for a intensidade da transformação disruptiva que venha ocorrer. Para citar um exemplo, considere a profissão de “consultor”.

Efetivamente, consultoria é uma das carreiras de futuro no mercado de trabalho 4.0 sendo que um consultor empresarial sempre será necessário para auxiliar os executivos ou colaboradores das empresas a definir quais opções de solução serão as mais adequadas diante de um rol de possibilidades ofertas pelos robôs.

No campo da consultoria, a despeito da inteligência artificial, será necessário aquele ser humano para escolher e alimentar os computadores com as informações no computador para que sejam obtidas as respostas. Caberá ao consultor, independente das tecnologias disruptivas existentes nas empresas, posicionar a empresa sobre as necessárias mudanças a realizar e as práticas a serem mantidas, passando a ser o responsável por tais alterações na empresa. Será o consultar que responderá pelas consequências boas ou más de alterações nas políticas das empresas, pois será ele que fornecerá ao tomador de decisão da empresa as correspondentes orientações.

O consultor, dentre outras responsabilidades, é fundamental nas empresas para o desenvolvimento de técnicas de negociação, para a formação de indicadores de desempenho e competitividade, para a elaboração de contratos, na gestão de equipes de trabalho, na gestão de projetos, para o desenvolvimento e gerenciamento de business models.

Sendo o consultor o profissional com domínio específico sobre determinado conjunto de conhecimentos o mesmo é fundamental para auxiliar a empresa que não tem estes conhecimentos para resolver os problemas que vão surgindo.

Diagnosticar problemas, perceber situações que podem ser otimizadas, definir soluções, propor melhorias, estabelecer metas e traçar caminhos para atingir resultados são algumas das principais funções de um consultor.

Possivelmente a humanidade passará da quarta revolução industrial. Dizem, inclusive, que uma quinta revolução industrial já é embrionária. Contudo, sejam quais forem as futuras ondas tecnológicas os consultores se manterão necessários acha vista que suas funções são primordiais para o sucesso das empresas em quaisquer tempos.

 

 Carlos Magno Corrêa Dias é conselheiro efetivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC), personalidade empreendedora do Estado do Paraná pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).

Fonte: FNE



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