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INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DEVEM SER PRIORIDADE NA LUTA SINDICAL  

02/04/2026

 

     O debate sobre inovação tecnológica e seus impactos no mundo do trabalho precisa ocupar o centro da agenda sindical. É o que defende o sociólogo Clemente Ganz Lúcio em artigo publicado pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, ao alertar para os efeitos estruturais da inteligência artificial e das novas tecnologias sobre o emprego, a produção e a organização da sociedade.

     Para o Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás, o tema não é apenas técnico — é profundamente político. A forma como a inovação será incorporada à economia definirá se teremos mais desenvolvimento com justiça social ou aprofundamento das desigualdades.

 

Tecnologia não é neutra: é campo de disputa

     O avanço da inteligência artificial, da automação e das plataformas digitais inaugura uma nova fase do capitalismo, marcada pela centralidade dos dados, pelo controle algorítmico e pela reconfiguração das relações de trabalho.

     Como aponta Clemente Ganz Lúcio, diferentemente de ciclos anteriores, a atual revolução tecnológica não substitui apenas o trabalho manual — ela avança sobre funções cognitivas, atingindo diretamente profissionais qualificados, incluindo engenheiras e engenheiros.

 

Essa leitura converge com o pensamento de autores como:

      Shoshana Zuboff, que analisa o capitalismo de vigilância e o poder das grandes plataformas digitais. Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, que discutem os impactos da automação e da IA sobre produtividade e emprego David Autor, que investiga a polarização do mercado de trabalho diante das novas tecnologias. Ricardo Antunes, referência na análise da precarização e das novas formas de exploração do trabalho

     Todos apontam para uma mesma direção: a tecnologia, sob a lógica do mercado, tende a concentrar renda, ampliar desigualdades e fragilizar direitos — a menos que haja regulação e organização coletiva.

O papel estratégico do sindicalismo

 

     Para o SENGE-GO, a inovação tecnológica precisa ser enfrentada como uma agenda estratégica permanente. Isso implica:

  • fortalecer a negociação coletiva sobre introdução de tecnologias nos locais de trabalho
  • defender políticas públicas de soberania tecnológica e industrialização
  • garantir formação continuada e requalificação profissional
  • combater a precarização e a uberização do trabalho técnico
  • disputar o uso social da tecnologia, colocando-a a serviço da população

     A história demonstra que os momentos de transformação tecnológica exigem ação sindical organizada. Sem isso, prevalece a lógica da maximização do lucro em detrimento da dignidade do trabalho.

 

 Engenharia, desenvolvimento e soberania

    No caso das engenharias, o impacto é ainda mais direto. A incorporação de tecnologias digitais redefine processos produtivos, modelos de gestão e o próprio papel do profissional no desenvolvimento nacional.

     O SENGE-GO reafirma que não há projeto de país soberano sem investimento em ciência, tecnologia e engenharia — e sem valorização dos profissionais que constroem essa base.

Uma encruzilhada histórica

     O Brasil e o mundo vivem uma encruzilhada: a inovação pode significar mais produtividade, melhores condições de vida e avanço civilizatório — ou pode aprofundar desigualdades, gerar desemprego estrutural e ampliar a concentração de poder.

    O desfecho dessa disputa depende da capacidade de organização da classe trabalhadora.

    Por isso, o SENGE-GO reforça: inovação tecnológica não é apenas pauta econômica — é pauta sindical, social e política.

 

 

 REFERÊNCIAS TEÓRICAS E DE PESQUISA

Clemente Ganz Lúcio – artigo: A inovação tecnológica deve ser prioridade para a pauta sindical (FISENGE)

Shoshana Zuboff – The Age of Surveillance Capitalism (2019)

Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee – The Second Machine Age (2014)

David Autor – estudos sobre automação e polarização do trabalho (MIT)

Ricardo Antunes – O privilégio da servidão (2018)

Organização Internacional do Trabalho – relatórios sobre futuro do trabalho e transformação digital

Banco Mundial – estudos sobre tecnologia, emprego e desigualdade

McKinsey Global Institute – relatórios sobre automação e mercado de trabalho



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