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Salário mínimo, luta coletiva e o desafio do Salário Mínimo Profissional das Engenharias

11/02/2026

O debate sobre os 90 anos do salário mínimo no Brasil recoloca no centro uma questão fundamental: direitos sociais não são concessões — são conquistas históricas da classe trabalhadora. Como destaca o economista João Saboia em recente reflexão sobre a trajetória do salário mínimo brasileiro, sua evolução foi marcada por avanços, interrupções e disputas políticas permanentes. Ainda assim, sua importância econômica e social permanece incontestável.

A própria concepção do salário mínimo, desde a década de 1930, estabelecia um princípio civilizatório: garantir remuneração suficiente para atender necessidades básicas como alimentação, moradia, transporte, higiene e vestuário. Ou seja, não se tratava apenas de salário, mas de dignidade.

Décadas depois, pesquisas sistemáticas do DIEESE continuam mostrando que o salário mínimo oficial ainda está distante do chamado salário mínimo necessário, capaz de assegurar qualidade de vida real às famílias brasileiras. Isso evidencia uma contradição estrutural: o trabalho produz riqueza, movimenta a economia e sustenta a sociedade, mas nem sempre essa riqueza retorna de forma justa para quem a gera.

Essa realidade dialoga diretamente com o debate do Salário Mínimo Profissional (SMP) das Engenharias, Arquitetura, Agronomia, Geociências e áreas tecnológicas. Trata-se de uma pauta histórica do movimento sindical da engenharia, que reafirma um princípio básico: trabalho qualificado, responsabilidade técnica e impacto social exigem valorização profissional compatível.

Não é apenas uma questão corporativa. A valorização do piso profissional está ligada:

  • à qualidade técnica das obras e serviços;
  • à segurança da população;
  • ao desenvolvimento tecnológico nacional;
  • à soberania produtiva;
  • e à dignidade dos profissionais que constroem infraestrutura, inovação e soluções para o país.

Quando o piso profissional não é respeitado, precarizam-se as condições de trabalho, enfraquece-se a capacidade técnica nacional e abre-se espaço para a desvalorização generalizada das profissões tecnológicas.

Assim como o salário mínimo geral foi fruto de luta social, o fortalecimento do Salário Mínimo Profissional das engenharias também depende de mobilização política. Em um ano eleitoral, essa pauta precisa ganhar visibilidade, pressão social e compromisso público das candidaturas e do Congresso Nacional. Transformar o respeito ao SMP em política efetiva e consolidada é passo essencial para avançar na valorização profissional e no desenvolvimento nacional.

A história mostra que nenhum direito trabalhista foi conquistado sem organização coletiva. Salário mínimo, jornada de trabalho, previdência, segurança laboral — tudo nasceu da luta.

E essa luta continua!

O SENGE-GO reafirma seu compromisso com a valorização profissional, com o fortalecimento da engenharia brasileira e com a defesa de condições dignas de trabalho. O avanço do Salário Mínimo Profissional não é apenas interesse da categoria — é interesse da sociedade que depende da engenharia para crescer com qualidade, segurança e justiça social.

É hora de ampliar o debate, pressionar o Congresso e transformar essa pauta em conquista concreta.

Engenheiras, engenheiros e toda a categoria tecnológica: vamos juntos fortalecer essa luta.

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