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Semáforo também é engenharia: manutenção exige segurança, responsabilidade técnica e valorização profissional.

27/05/2026

 

     Artigo da Revista O Setor Elétrico acende alerta sobre os riscos elétricos na manutenção semafórica. Para o SENGE-GO, o tema dialoga diretamente com a realidade das cidades goianas: serviço público seguro depende de engenharia, fiscalização, condições dignas de trabalho e cumprimento das normas de segurança.

     A manutenção de semáforos costuma aparecer para a população apenas quando o equipamento falha, o trânsito trava ou um cruzamento fica inseguro. Mas, por trás de cada intervenção, há uma realidade que não pode ser invisibilizada: semáforo não é apenas sinalização urbana. É sistema elétrico, tecnologia de mobilidade, infraestrutura pública e, sobretudo, ambiente de risco para quem trabalha.   

    O artigo “Manutenção de Semáforos X ‘Perigo Eletricidade’ na NR10 e NR1”, publicado pela Revista O Setor Elétrico, chama atenção para um ponto essencial: a atividade de manutenção semafórica pode ter interface direta com instalações elétricas, redes energizadas, postes, controladores, comandos, trabalho em altura e vias públicas em circulação. Ou seja: não se trata de um serviço simples, improvisado ou meramente operacional. Trata-se de uma atividade técnica, de risco e que exige planejamento, responsabilidade e profissionais qualificados.

     Para o SENGE-GO, esse debate precisa ser trazido para a realidade goiana. Em Goiânia, a própria estrutura municipal reconhece a complexidade da sinalização semafórica, envolvendo implantação, substituição, retirada, manutenção preventiva e corretiva, programação da central de controle de tráfego, elaboração de pareceres técnicos, fiscalização de empresas contratadas e acompanhamento dos serviços terceirizados.

     Isso significa que a manutenção semafórica exige engenharia elétrica, engenharia de tráfego, segurança do trabalho, planejamento urbano e responsabilidade pública. Cada cruzamento sinalizado, cada controlador instalado, cada rede energizada e cada intervenção em via pública precisam estar amparados por projeto, análise de risco, equipes capacitadas, equipamentos adequados, procedimentos seguros e fiscalização permanente.

     Segurança não é custo. Segurança é obrigação.

      A NR-10 estabelece requisitos e condições mínimas para a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, com o objetivo de garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interajam, direta ou indiretamente, com instalações elétricas e serviços com eletricidade. A norma se aplica às etapas de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia, incluindo projeto, construção, montagem, operação e manutenção das instalações elétricas.

     Já a NR-1, ao tratar do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, exige que o Programa de Gerenciamento de Riscos contenha, no mínimo, inventário de riscos e plano de ação. Em outras palavras: antes de executar o serviço, é preciso identificar os perigos, avaliar os riscos e definir medidas concretas de prevenção.

     Não se trata de burocracia. Trata-se de vida.

     Em Goiás, o alerta é ainda mais urgente. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, com base no Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho, o estado registrou 24.303 acidentes de trabalho em 2024. Desse total, 64% foram acidentes típicos, como cortes, quedas, queimaduras e choques elétricos. O número representa aumento em relação a 2023, quando foram registrados cerca de 22 mil casos, e a 2022, quando foram 16 mil. 

    Quando falamos de eletricidade, o risco é silencioso e muitas vezes fatal. Dados da Abracopel, divulgados em 2026 com ano-base 2025, apontam que o Brasil registrou mais de 2,3 mil acidentes de origem elétrica em 2025, com destaque para os choques elétricos, que somaram 917 ocorrências e 646 mortes.

     Engenharia valorizada é cidade mais segura

     Diante desse cenário, o SENGE-GO reafirma: não há cidade segura sem engenharia valorizada. Não há mobilidade eficiente com precarização do trabalho. Não há modernização urbana quando a vida dos trabalhadores é colocada em segundo plano.

     A manutenção de semáforos envolve tecnologia, energia, trânsito, segurança e serviço público. Por isso, deve ser executada com profissionais habilitados, condições adequadas de trabalho, cumprimento rigoroso das normas regulamentadoras e efetiva responsabilidade técnica.

    Também é preciso enfrentar a lógica da terceirização sem controle, da contratação pelo menor preço, da redução de equipes e da pressão por produtividade. Quando o serviço público é precarizado, quem paga a conta é o trabalhador exposto ao risco e a população submetida a falhas na infraestrutura urbana.

    A preocupação com a manutenção da rede semafórica de Goiânia já apareceu, inclusive, em decisões e manifestações de órgãos de controle. Em 2024, o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás destacou a complexidade e a importância do sistema semafórico para a cidade, determinando a apresentação de plano detalhado de prestação do serviço em meio ao debate sobre contratação de empresa especializada.

    Esse é o ponto central: semáforo funcionando salva vidas no trânsito. Mas a manutenção desse sistema também precisa preservar a vida de quem trabalha.

    Para o SENGE-GO, valorizar a engenharia é garantir que obras, serviços e manutenções urbanas sejam realizados com responsabilidade técnica, respeito às normas e proteção integral aos trabalhadores. A segurança não pode ser vista como custo. Segurança é condição de trabalho, dever legal e compromisso social.

    Engenharia não combina com improviso. Trabalho seguro exige profissional valorizado, norma cumprida e responsabilidade técnica em cada intervenção.

 

 

 Referências para consulta

 

https://www.osetoreletrico.com.br/manutencao-de-semaforos-x-perigo-eletricidade-na-nr10-e-nr1/ Revista O Setor Elétrico. Manutenção de Semáforos X “Perigo Eletricidade” na NR10 e NR1

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-10.pdfMinistério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-01-atualizada-2025-i-1.pdf   Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. 

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/manuais-e-publicacoes/2026/manual_gro_pgr_da_nr_1.pdf  Ministério do Trabalho e Emprego. Manual sobre o GRO/PGR da NR-1.

https://www.goiania.go.gov.br/secretaria/secretaria-municipal-de-engenharia-de-transito/superintendencia-de-gestao-processual-e-planejamento-administrativo/secretaria-municipal-de-transitotransportes-e-mobilidade-2-2-2-2   Prefeitura de Goiânia. Diretoria de Engenharia de Trânsito / Gerência de Sinalização e Programação Semafórica.

https://www.trt18.jus.br/portal/abril-verde-acidentes-de-trabalho-aumentam-em-goias-e-homens-pardos-sao-maioria-das-vitimas    Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região. Abril Verde: acidentes de trabalho aumentam em Goiás e homens pardos são maioria das vítimas. Publicado em 1º de abril de 2026.

https://www.tcmgo.tc.br/site/2024/08/nova-cautelar/Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás. Goiânia: TCMGO emite nova cautelar sobre o pregão dos semáforos.

https://www.researchgate.net/publication/403297745_ANUARIO_ESTATISTICO_DE_ACIDENTES_DE_ORIGEM_ELETRICA_2026_-_Ano_base_2025   

"manual sobre o GRO da NR-1 - Portal Gov.br"

 https://abracopel.org/estatisticas  "Estatísticas" Abracopel. Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2026 — ano-base 2025.

 

 

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